Precisamos de Dois Sistemas de Ensino

novembro 9th, 2011 por J Menezes

A Educação na América poderia usar uma grande dose de inovação. Que tal um sistema de ensino para empregados e outro para empreendedores?

Por Robert Kiyosaki

No verão de 1932, o candidato presidencial Franklin Delano Roosevelt prometeu, “Prometo para você, prometo para mim, para um novo acordo com o povo Americano.”

Hoje, não é hora para um “Novo Acordo”, mas uma “Nova Missão.”

As escolas na América precisam aprender com as empresas que foram criadas por empreendedores nas últimas décadas. Henry Ford, Bill Gates, Steve Jobs, Sergey Brin e Larry Page nos deram todo o roteiro, mas o caminho para o empreendedorismo tem sido a estrada menos percorrida pelas escolas Americanas.

A taxa de desemprego nos EUA é atualmente de 9.7% no que muitos chamam de “recuperação dos sem-trabalho”. Então o que deveríamos fazer? O problema e a solução podem ser encontrados no sistema de ensino da América e no atual mantra “Vá para a escola, tenha boas notas e então você poderá ter um bom trabalho bem remunerado.” Em termos simples isso significa “Vá para a escolha e torne-se um bom empregado.” Mas existem muitos empregados, que é por isso que temos o problema do desemprego. Hoje, crianças que foram à escola não estão encontrado emprego. Ao mesmo tempo, muitos destes pais estão voltando à escola para reciclagem. Mas eles não estão encontrando emprego também.

A idéia de um trabalho bem remunerado por toda a vida é um real sonho americano — mas não é mais uma realidade. Com uma mão-de-obra barata e uma tecnologia barata e de alta performance, os empregos Americanos bem pagos estarão desaparecendo em grande velocidade de acordo com a expansão.

Sistema de Dois Caminhos

O sistema Americano de educação precisa de uma injeção de inovação — o que é justamente o que empreendedores fazem. Precisamos de dois programas de ensino públicos distintos: um para empregados e outro para empreendedores.

A forma de treinar empreendedores é quase exatamente o oposto dos métodos utilizados para se treinar empregados. Outra discussão comum sobre Ford, Gates e Jobs é que todos eles abandonaram a escola. Isso não significa que educação não é importante, mas treinar empreendedores é diferente de treinar pessoas para serem empregadas. É como a diferença entre a educação tradicional e o modelo acadêmico militar.

Muitas das lições que me basearam a escrever meu livro, Pai Rico, vieram do sistema acadêmico militar norte-americano.

Em 1965, deixei a pacata cidade de plantação de açúcar Hilo, no Havaí, e parti para Kings Point, Nova Iorque, para participar da Academia da Marinha Mercante dos EUA. Com quatro anos na academia e seis como piloto do Corpo de Fuzileiros, incluindo duas viagens ao Vietnã, ganhei muitas das habilidades do mundo real e traços de caráter com que conto hoje como empreendedor.

Sucesso entre os militares é um grande termômetro sinalizando conquistas em negócios. Por exemplo, as Forças de Defesa de Israel são um terreno fértil para educação e empreendedores, onde muitos servem em unidades especializadas em tecnologia militar. No início de 2009, as 63 companhias Israelenses listadas na Nasdaq, muitas delas lideradas por ex-membros da FDI, ultrapassaram empresas estrangeiras, de acordo com o livro Start-up Nation de Dan Senor e Saul Singer. São lições simples para o engarrafado sistema educacional Americano.

Se eu estivesse no comando de um sistema escolar, criaria a Academia de Negócios para Empreendedores dos EUA, baseada no modelo das academias militares federais. As admissões seriam através de indicações de congresso junto com indicações de líderes da comunidade empresarial. Os vestibulares seriam rigorosos; o currículo seria bem diferente das escolas tradicionais.

No primeiro dia, em qualquer uma das cinco academias militares federais, cada aluno é obrigado a decorar a missão da academia. Na militar, a missão é mais importante que a vida. Depois de deixar o Corpo de Fuzileiros Navais e começar meu próprio negócio, eu encontrei muitos executivos com MBA focado apenas em dinheiro. O dinheiro era a sua única missão. Se pudessem cortar gastos através da demissão de empregados, assim seria. Isto seria inconcebível na academia e no Corpo de Fuzileiros Navais. Como oficiais militares, a nossa missão era a de servir o nosso país e trazer nossas tropas para casa vivo. Foi gravado em nossas almas que a nossa missão era mais importante que nossas vidas.

A missão da Academia de Empreendedores dos EUA seria criar sustentabilidade, empregos bem remunerados para empregados com crescimento agressivo nos negócios. Muitos executivos são treinados para aumentar os negócios através de fusões e aquisições, usando quantidades massivas de débito. Embora isso possa fazer felizes os acionistas, na maioria dos casos, rasga a alma do negócio, pesando mais a dívida ao colocar os empregos dos trabalhadores em risco.

Criando trabalhos reais

Se os executivos da empresa não podem desenvolver um negócio de forma orgânica, muitas vezes eles recompram suas ações para aumentar seu valor – novamente para manter os acionistas felizes e o emprego do CEO. Esta é uma manipulação de negócios, e não a verdadeira missão de um negócio sustentável. A lição aprendida é: um empregado leal não é tão importante quanto o dinheiro.
A Academia de Negócio para Empreendedores dos EUA terá apenas empreendedores reais como professores. Eu pediria a eles que trabalhassem apenas por 1 dólar ao ano (sem salários!). Você vê, se eles forem reais empreendedores, eles não precisariam do dinheiro. Eles ensinariam pela mesma razão que os alunos estão lá: a missão de criar os empreendedores que criam empregos sustentáveis para o país.

Se você concorda comigo ou não, eu espero que esteja claro que temos de criar mais empreendedores – uma vez que apenas os empreendedores podem criar postos de trabalho reais.
Precisamos nos comprometer com esta Nova Missão: a criação de empregos por parte daqueles que são reais criadores de emprego.

Robert Kiyosaki é um empreendedor educacional, fundador Rich Dad Co. baseada em educação financeira e autor de best-sellers, como Pai Rico, Pai Pobre e Conspiracy of the Rich.

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